POLÍTICA

Como Elon Musk e a Tesla podem sair perdendo com a eleição de Arce na Bolívia



"Nós vamos dar golpe em quem for necessário, lide com isso", tuitou o empresário Elon Musk no dia 25 de julho deste ano, ao ser questionado sobre a influência de Washington na queda do então presidente boliviano Evo Morales.

Fundador da Tesla, maior montadora de veículos elétricos do mundo, Musk buscava há anos um parceiro mais "amistoso" no país sul-americano. Isso porque a empresa precisa de lítio para produzir as baterias de seus carros, e a Bolívia tem uma das maiores reservas da substância no mundo.

Agora, com a eleição de Luis Arce, candidato de Evo e membro do Movimento ao Socialismo (MAS), as negociações podem voltar à estaca zero. Já na altura de sua queda, Morales defendia que havia "sofrido golpe" por conta do lítio boliviano. "Sempre defenderemos os nossos recursos", respondeu ao empresário.

Depois do anúncio da possível vitória de Arce, internautas foram para o Twitter criticar e ironizar Musk, subindo a hashtag #ChoraElonMusk. O tema foi um dos mais comentados pela internet na manhã desta segunda (19).

Economista, tecnocrata e pai "do milagre econômico" da gestão de Evo, Arce já deu declarações em que se mostra aberto à exploração do lítio, que vem sendo chamado de "petróleo branco" ou "petróleo do futuro".

Arce também afirma que quer "se juntar às grandes empresas do mundo para valorizar a reserva de lítio do país e, assim, criar empregos e promover uma melhora no bem-estar social de todos os bolivianos."

E o níquel?

Também em julho, Musk fez um apelo inusitado: pediu que mineradoras como a brasileira Vale produzam mais níquel. A razão? O metal é uma matéria-prima fundamental para a produção de baterias que alimentam seus carros elétricos. 

Segundo o empreendedor, o custo do componente ainda segue como um grande obstáculo para o crescimento da empresa. "A Tesla lhes dará um contrato gigante por um longo período se vocês produzirem níquel de maneira eficiente e ambientalmente correta", disse Musk em teleconferência de resultados da Tesla.

Há três grandes fornecedores no mundo: a Vale, em suas minas no Canadá incorporadas com a aquisição da Inco em 2006, a russa Norilsk Nickel e a australiana BHP.

O níquel torna as baterias mais densas, capazes de armazenar mais energia, e a Tesla precisa do metal mais do que nunca, uma vez que está buscando aumentar a produção de picapes e projetos de energia solar que usam muito níquel.

Apesar do apelo de Musk, analistas do setor afirmam que os volumes de que a Tesla vai precisar provavelmente não vão ser suficientes para convencer as mineradoras a investir em aumento de produção.

Atualmente, a Tesla compra baterias de níquel-cobalto-manganês (NCM) da sul-coreana LG Chem e baterias de níquel-cobalto-alumínio (NCA) da japonesa Panasonic. "O limitador real do crescimento da Tesla é produção das células de baterias a preços acessíveis", disse Musk. 

(Com Reuters)




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