DIVERSÃO

A História dos Zumbis no Cinema
Zumbis existem há muitos anos no cinema



Tranquem as portas e fechem as janelas!!! Essa frase pode indicar muitas coisas: guerra civil, ataques de criminosos ou atentado terrorista. Mas a partir de agora, uma febre vai invadir o seu imaginário: bem-vindo a uma invasão zumbi.

Os zumbis existem há muitos anos no cinema, mais proeminetemente desde 1968, quando surgiram para chocar a sociedade no clássico A Noite dos Mortos-Vivos, do mestre George A. Romero. Antes de Romero, eles eram mais conhecidos nas telonas por aparições em rituais de vudu, como no filme Zumbi Branco, de 1932, no qual Bela Lugosi interpreta um feiticeiro no Haiti.

Como tudo começou

Existem diversas teorias sobre quando os zumbis começaram a assolar a Terra (sim, essas teorias existem na vida real), mas vamos focar na sétima arte e falar um pouco sobre quem é George A. Romero. Conhecido como o mestre dos zumbis, ele pegou a ideia apocalíptica do livro Eu Sou a Lenda, aquele mesmo que Will Smith estrelou nas telonas, e a transformou no filme A Noite dos Mortos-Vivos. Ou seja, saíram os vampiros do livro e entraram mortos que se levantam de seus túmulos para comer carne humana, com dificuldade em andar por conta da decomposição de seus corpos e que só sabem grunhir. Na época da estreia do longa, ainda não havia censura por faixa etária nos filmes, ou seja, a produção foi vista até por crianças que ficaram perturbadas com as cenas de violência explícitas e ausência de um final feliz. O transtorno causado na sociedade americana não impediu o sucesso do estilo, mais cinco filmes de zumbis foram produzidos por ele ao longo dos anos: Despertar dos Mortos, Dia dos Mortos, Terra dos Mortos, Diário dos Mortos e A Ilha dos Mortos.

O lado social de Romero

Os filmes de Romero possuem um lado social que vai muito além do terror e dos zumbis. Evidenciar os problemas da sociedade, seja em um mundo apocalíptico ou não, passou a ser até mais importante do que os próprios comedores de carne humana. Porém, essa característica marcante do cineasta começou “meio que sem querer”. Colocar Duane Jones, um negro que jamais havia atuado, como protagonista de A Noite dos Mortos-Vivos, uma produção da década de 1960, liderando e dando ordens a um grupo de brancos, foi uma atitude muito ousada para o público da época. Mas para Romero, Jones era apenas um bom ator que aceitou o baixo cachê.


O cineasta gostou da repercussão de suas ideias “subversivas” e passou a adotá-las de forma proposital. Em Despertar dos Mortos, ele mostra que os membros de uma sociedade capitalista já são zumbis que perambulam pelos corredores de um shopping center, com seus olhos fixos nas vitrines.

Enquanto Dia dos Mortos traz a loucura do homem na busca incansável pelo poder e pelo topo das hierarquias. Já Terra dos Mortos é uma crítica social escancarada, mostrando uma sociedade dividida entre quem tem dinheiro e quem não tem, deixando a lição de que todos não passam de comida de zumbis. Diário dos Mortos mostra a invasão tecnológica em nossas vidas e como a verdade pode ser escondida por “forças maiores”. Por último, A Ilha dos Mortos mostra como opiniões diferentes podem resultar em um conflito ainda maior que a necessidade de sobrevivência.

Em todos os filmes de George A. Romero, o caos da sociedade, a degradação do ser humano e a busca pelo poder são temas marcantes. Analisar cada produção do cineasta renderia um vasto estudo antropológico.

Mortos-vivos sabem ser engraçados

Depois do papo sério sobre a sociedade, nada melhor que algumas sátiras para relaxar. O primeira que fez grande sucesso foi A Volta dos Mortos Vivos, de 1985, que brinca com a realidade ao afimar que o clássico A Noite dos Mortos Vivos foi baseado em fatos reais, mais precisamente sobre um acidente no hospital da cidade americana Pittsburgh, em que diversos soldados norte-americanos teriam sido contaminados.

A Volta dos Mortos Vivos marca a primeira fala de um zumbi nos cinemas, foi aqui que surgiu a famosa expressão: Brain!!! Dita pelos mortos-vivos que se alimentam de cérebro humano (diferente dos zumbis de Romero que comem qualquer parte do corpo). O filme teve quatro sequências, mas nenhuma emplacou como a original. Outra curiosidade fica por conta do diretor Peter Jackson, o mesmo da saga O Senhor dos Anéis, foi o responsável por um dos maiores clássicos do gênero: Fome Animal, de 1992. Muito sangue e cenas bem nojentas fazem se misturam com risadas neste filme.

Os filmes de zumbis mais recentes ganharam grande força junto ao público justamente por seu tom de comédia. Passeando pelo mundo inteiro, cada filme aproveita o tom satírico para dar uma cutucada em diferentes formas de governo.


Todo Mundo Quase Morto abusa do humor inglês para transformar um fracassado em herói na terra da rainha. Juan de Los Muertos (foto acima) ataca o governo cubano enquanto o protagonista transforma a luta pela sobrevivência. E o que dizer sobre Zumbis na Neve? Longa norueguês que brinca com o Hitler e seu exército de zumbis nazistas, além de fazer inúmeras piadinhas sobre orgãos sexuais e "ameaças" comunistas.

Outros longas de zumbis também flertam com a comédia, mas de forma mais leve, sem cair no gênero trash, como é o caso de Zumbilândia. Mexendo com a emoção dos aficionados por mortos-vivos, Fido - O Mascote faz você torcer – e muito – para o protagonista zumbi e ainda desejar ter um igualzinho em casa.

Seja como for, o gênero continua firme forte com títulos como Invasão Zumbi.





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