DIVERSÃO

Análise: nova geração do Fiat Uno se torna dilema para FCA
Com a crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19, o que seria um Fiat Panda nacional pode virar peça de museu. Entenda o cenário



Apesar de ter ficado na geladeira da FCA nos últimos anos, o Fiat Uno ganharia uma nova geração em 2021. Tudo indicava que o carro usaria a plataforma MP1 (do Fiat Argo) para continuar sua produção em Betim (MG). O design não seria idêntico, mas seguiria as linhas do conceito Centoventi, revelado no Salão de Genebra de 2019, que deverá dar forma à nova geração do Fiat Panda. O Uno sempre foi o irmão brasileiro do italiano Panda. Mas veio a pandemia de Covid-19 e tudo mudou.

A nova geração do Fiat Uno tornou-se um dilema para a FCA. Por um lado, o Uno envelheceu por não ter recebido de Betim a mesma atenção que foi dedicada ao Fiat Mobi. Por outro lado, o Mobi nunca foi o campeão de vendas que a Fiat esperava (apesar de vender três vezes mais do que o Uno). Que fazer com esse segmento? Abandoná-lo? Logo a Fiat, que tem os carros compactos em seu DNA?

Os planos para o novo Uno eram ambiciosos. Segundo o site Autos Segredos, do jornalista Marlos Ney Vidal, a nova geração do Uno marcaria a chegada de novos aços, mais leves e resistentes, para deixar o carro com menos peso e mais seguro. O pacote que resultaria em maior eficiência seria completado com o novo motor 1.0 turbo de três cilindros com cerca de 115 cv de potência. Mas o novo cenário colocou o projeto na geladeira e pode até ser abortado. E não apenas ele, mas também a atual geração do Uno.

Antonio Filosa, CEO da  FCA na América Latina, disse ao próprio Autos Segredos que o Uno precisaria ganhar conteúdo e tecnologia para ser competitivo no mercado. Com a queda brutal de vendas, essa hipótese passa a ser mais real do que a de uma nova geração do Uno. Mas também vale para o Fiat Uno a mesma equação que tira o sono dos executivos da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), em relação ao futuro do Gol.

Curiosamente, a Fiat e a Volks têm dilemas parecidos -- em Betim, o problema é o que fazer com o atual e o futuro Uno; em São Bernardo, a dúvida é o que fazer com o atual e o futuro Gol. Na Europa, onde a crise existe, mas não é tão profunda como no Brasil, a FCA já decidiu o que fazer com o Panda. Ele será o carro mais barato da Fiat, seguirá o conceito Centoventi e poderá dividir a plataforma com o Peugeot 208 e o Opel Corsa (a FCA e a PSA se uniram recentemente).

Segundo o site Car Buyer, o novo Fiat Panda chegará em 2022 e poderá até ter uma versão elétrica. Ele será mais barato do que o novo Fiat 500 elétrico. A ideia é torná-lo mais competitivo perante o Volkswagen Up, o Hyundai i10 e o Kia Picanto. “Haverá um futuro para o Panda”, disse Olivier François, diretor de marketing global da Fiat. “Não existe uma Fiat como um todo, se você não tem um Panda e um 500."

A nova plataforma do Peugeot 208/Opel Corsa permite versões a gasolina, diesel e elétrica, o que significa que o Fiat Panda será mais barato de produzir e, portanto, mais barato de comprar. Esse mesmo conceito pode vir para a América do Sul, quando as marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën passarem efetivamente a trabalhar juntas. O problema para Betim é que a decisão sobre o futuro do Uno não pode esperar. 

Nesse dilema, Filosa tem quatro opções sobre a mesa: 1) manter o Uno como está; 2) encerrar a produção do Uno; 3) investir em algumas melhorias para tornar o Uno mais competitivo; 4) insistir no lançamento de uma nova geração para o Uno. Não é uma decisão fácil, pois não é possível combinar o resultado antes com os exigentes (mas descapitalizados) consumidores brasileiros. 

Atualmente, o Fiat Uno ocupa a pífia posição de 35º carro de passeio mais vendido do Brasil. Ele teve 19.928 emplacamentos no ano passado e 4.454 até maio deste ano. O Fiat Mobi tem desempenho melhor e subiu do 14º para um bom 12º lugar, registrando 53.444 vendas em 2019 e 14.446 nos primeiros cinco meses de 2020.

 


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